Sobre o Carnaval.

Eu nunca fui lá muito antenada ao Carnaval. Pelo contrário, sempre achei toda essa festividade chata. E não falo isso por que fiquei anos em um relacionamento — isso nunca seria um impedimento. Falo porque era realmente desesperador me imaginar no meio de tanta gente. Grandes multidões nunca me agradaram. Até 2019.

Nessa fase de desconstrução e de observar a vida por outro viés, resolvi aceitar essa festa e participar dela. Confesso que nunca imaginei que fosse me agradar tanto. Descobri uma festa popular que suspende a seriedade da vida e dá alento para continuarmos o ano. Viver a Cultura do meu país, da maneira que ela é, deixou o meu coração quentinho.

Ainda no pré-Carnaval, já havia decidido que eu iria viver a festa do povo. Por isso, fui com meus amigos ao desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta. No caminho, eu dizia que eu era uma foliã conservadora (uma alusão óbvia à minha posição política contrária a isso). O Baixo Augusta é um bloco gigantesco e tem como madrinha a minha musa Alessandra Negrini (quem me conhece sabe como eu sou apaixonada por essa mulher). Enfim, pulei, dancei, cantei, bebi, me diverti. Ao voltar para casa, minha melhor amiga me disse: “Estou surpresa com você. Você não está nem mal humorada”. Ela me conhece, sabia que ali não era o lugar que a Aline de antes gostaria de estar.

A melhor parte de tudo foi ter vivido momentos inesquecíveis com pessoas maravilhosas. Ter encontrado amigos que há tempos eu não dedicava um pouco de mim. Ter dançado de olhos fechados pelo centro de São Paulo sem me preocupar com nada. Sentir os pingos da chuva como bençãos para mim. Olhar em volta e me surpreender com tanta alegria. Sorrir porque essa era a única maneira de expressar a minha felicidade. E eu esbanjei felicidade. O coração ainda pulsa de alegria. Foi demais.

Um dos momentos mais marcantes para mim, entre os vários que vivi, foi a chuva do último dia. Estava acompanhada de um grande (e recente) amigo que pediu para continuarmos no rolê, mesmo com a chuva torrencial. E eu me permiti. Era para ser ali com Timbalada tocando ao fundo. Estávamos extasiados. Foi o ápice de bem-estar que senti naquele dia. Foi uma energia tão foda de sentir. Dancei como se não houvesse amanhã. Não tinha espaço no mundo para o tanto que eu pulei. Fui invadida por uma alegria e liberdade que há muito tempo eu não sentia (ou nunca senti). Que bom ter tido alguém para compartilhar esse momento, porque eu tenho certeza que ele também sentiu essa boa vibração.

Eu vi muitos sorrisos em todos os dias que eu pulei Carnaval. Eu senti uma energia revitalizadora que modificou muito a minha forma de observar essa festa. Sinto dores em todas as partes do meu corpo e o cansaço também bateu forte por aqui, afinal não tenho mais 20 anos, porém, meus amigos, meu coração está cheio de entuasismo.

“Eu fui embora meu amor chorou. Vou voltar…”

Ele era misterioso e eu louco

A história de como o mistério me fez conhecer uma pessoa incrível

Photo by Mark Solarski on Unsplash

“Amigo, vamos pra festa? Vai ser divertido, vamos!”, foi assim que essa história começou, o convite da minha melhor amiga me levou para uma balada na sexta-feira à noite — depois de trabalhar o dia inteiro, porém queria comemorar diversas coisas e o feriado que estava dando o ar da graça, ou seja, poderia descansar.

Chegando na festa, era literalmente aquilo que precisava, música boa, amigos e muitas risadas. Além disso, eu queria e podia extravasar à vontade, porque depois de tenebrosos invernos, tinha falado para mim mesmo que tudo seria diferente — e foi diferente.

Durante uma música e outra, as luzes passando e eu sendo simplesmente eu, percebi que estava dançando junto com um menino. Do rock ao funk, a roda foi se abrindo, abrindo e abrindo — olhei para o lado, tinha minha amiga com as amigas dela e do outro lado, a galera que estava com o menino, que até aquele momento era desconhecido. Não pensei duas vezes, vou questionar o nome, afinal, quem era o “menino misteriosos”.

“Oi, como é seu nome”, disse no ouvido dele enquanto tocava algum funk, ele me respondeu e sorri dizendo: “Prazer, sou Neto!”.

Essa foi a primeira e única vez que falamos aquela noite, aconteceram algumas coisas cujo fiquei envergonhado, de verdade, e senti que tinha que sair daquele lugar porque se não, não sabia o que mais iria fazer. Fui para fora da casa, sentei na varanda com as amigas da minha amiga, conversei sobre relacionamento e vontade de comer um lanche (às 4 horas da manhã).

Eis, que surge novamente o menino que tinha dançado comigo, naquele momento com óculos e fiquei observado, do outro lado da varanda se era realmente ele ou não — pensei em me enfiar em um buraco, mas tudo bem, continuei firme ali na ponta e rindo com assuntos fora do contexto, porém na minha cabeça passava o que tinha recém acontecido lá dentro.

A festa acabou, peguei carona com um cara que tava de moto e era amigo de alguém da roda, fomos para uma lanchonete e lá acabou a minha festa, porém começou uma loucura, onde agora se completa um mês.

Olhei o evento da festa no Facebook, sabia que lá não conseguiria encontrar. Comecei a arquitetar maneiras de encontrar aquele garoto de óculos e uma camiseta rosa (acho que era rosa), até que não pensei duas vezes em pedir ajuda aqueles que sei que poderia se lembrar — encontrei um funcionário da balada, falei que estava procurando e lembrando da galera que estava com ele, encontrei alguém que poderia me ajudar.

Aos poucos fui revirando a rede social e encontrei, uma pessoa do seu grupo — descobri que trabalhava com publicidade, como já não tinha nada a perder, adicionei. Em questão de minutos, fui aceito — sim, fui aceito.

Como stalker que a vida me ensinou a ser, fui procurando e encontrei o perfil daquele menino, que só sabia o primeiro nome e era misterioso para mim. Pensei novamente, lembrei que não tinha nada a perder, enviei a solicitação de amizade, que foi aceita — sim, fui aceito novamente e com a cara e coragem, enviei uma mensagem.

Oi! Tudo bem? Pode parecer estranho, porém eu fiquei meio bolado ontem, na balada, minha “amiga” tava muito bêbada e fez aquilo, eu juro que não queria real… Fiquei até sem saber o que fazer depois e sumi. Sorry!

Coloquei a mão na consciência e percebi o quão louco e estranho seria, surgir uma mensagem desse tipo, de uma pessoa que não conhecia — novamente, queria sumir, me enfiar no buraco e não aparecer. Porém, tive força e continue, porque eu realmente precisava pedir desculpas, senti a necessidade e assim, começou o que tinha tudo para ser mais uma situação complicada e engraçada da minha vida.

Depois de um tempo tive uma resposta que me surpreendi, ele disse que lembrava de mim e me pediu desculpas, se a reação dele tinha parecido grosso demais. Mal sabia que depois dessa loucura iria conhecer uma pessoa tão incrível.

A conversa foi se desenrolando, encontramos muitas afinidades e até mesmo coisas parecidas, como: ocupamos o mesmo cargo, em empresas diferentes (sim, falamos e muito de trabalho), ouvimos os mesmos estilos de música (até agora tento fazer ele ir em um show comigo, porém não vai ter como mesmo, tá destino!) e temos alguns gostos e medos que são muito parecidos. E depois de tudo isso, me questionei: onde você estava metido, que não tinha aparecido antes?

Os dias foram passado, a conversa continuava e saímos do Messenger (porque o Facebook pediu arrego), fomos para o WhatsApp e ali continuamos a conversa. Todos os dias, o tempo todo (tirando a hora que ele está trabalhando, porque é um menino muito centrado e o trabalho, é apenas o trabalho), contei pra ele sobre meus medos, meu passado e o presente, descobri muitas coisas e da mesma forma, fui descobrindo coisas sobre ele. O menino misterioso foi perdendo o seu mistério e se tornando: um grande amigo.

É claro que a conversa não ficou apenas nos aplicativos, marcamos uma sessão de cinema e fomos nos divertir com um filme incrível (Atômica, assistam de verdade!). O menino que agora com ou sem óculos, é o mesmo, que tem nome e sobrenome, também tem um mapa astral engraçado e sofredor (sim!). Foi ganhando novas formas, histórias e relatos incríveis, de uma pessoa que sempre buscou e conquistou o que deseja — e mais estranho que pareça, acho incrível isso e tenho orgulho dele ter conquistado tantas e tantas coisas.

Depois de 30 dias, interruptos de conversas e histórias, relatos de casos antigos e como o destino nos fez de trouxa (em diversos motivos), sinto que os papos, os “bom dia” e até mesmo os momentos que alguém dorme — e esquece de responder, está ficando marcado nessa minha pequena longa história.

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Sim, ele é um cara incrível. Sim, depois de tantas coisas eu confio nele ao ponto, de em uma madrugada eu mandar pra ele a continuação do que iria dizer quando estava alterado e aceitar para algumas coisas, que nunca pensei que iria fazer na vida. Enfim, a um mês algumas coisas me fizeram mudar e muito destas coisas, foram acontecendo durante nossas conversas.

Obrigado. Recíproco.

Desculpe, mas preciso falar sobre o Natal

Eu, honestamente, nunca vinculei o Natal com nascimento de Cristo, apesar de cantar parabéns para ele todo Natal. É um hábito da minha família.

“Natal é uma data comercial”. As pessoas ficam frenéticas atrás de presentes. E esse Papai Noel com roupa de frio nesse calor de 40 graus?

Menos. Que tal menos crítica e mais atenção com o que realmente importa? Deixe o Papai Noel em paz, se ele sente calor ou não, não é você vestido. É só uma figura, um personagem, uma representação que você pode ou não aceitar. Presentes? A escolha é sua, comprar ou não. Você não é obrigado.

Ninguém sabe ao certo de onde surgiram essas figuras. O Papai Noel, segundo a história, São Nicolau. Ele não tinha a cara fofa, mas sim era austero, porém, com fama de ser bondoso e generoso.

Os presentes, são tradições de povos que colocavam presentes sob a árvore de Odin, eram para as crianças.

E o meu símbolo preferido, a árvore de Natal, nada mais é do que um grande pinheiro, que simboliza a vida. A árvore, que mesmo nas fortes tempestades de neve e com o rigoroso inverno, mantém-se verde. E desde tempos antes de Cristo, a árvore já era símbolo da vida haviam crenças que ligavam as árvores a entidades mitológicas e sua projeção vertical, desde as raízes fincadas no solo, marcava a simbólica aliança entre os céus e a mãe terra.

Não é lindo? Pena que não nos ensinam a história por trás dos símbolos.

Sinceramente, acho tudo isso muito triste. Nunca olhei o Natal dessa forma tão dura e crítica. Eu sempre fui apaixonada pelo Natal. Há uma magia no ar. Parece que o mundo fica em outra frequência. Mas esse ano, eu percebi, com muito amargor, que não é o mundo que fica diferente. Sou eu. Pura e simplesmente eu. Eu fico encantada com o mundo, com as luzes, com a ideia de assar aquele Chester, fazer aquela farofa, montar uma mesa e reunir as pessoas.

E isso, não foi imposto para mim. Isso existe em mim, porque é uma tradição da minha família, ao longo de nossas tradições eu construí o siginificado do Natal para mim. E sim, minha gente, na nossa família há desavenças, há brigas, há falsidade e hipocrisia. Talvez, seja um sinal que somos uma família mesmo. E não somos perfeitos e sabemos disso.

Esse ano, eu perdi o olhar encantado para o mundo. Cadê aquela menina, que olhava para o mundo encantada, sentindo a vibração pelo corpo, que contava luzes de Natal com a irmã, no caminho da casa da avó para a ceia?

Acredito que o Natal, dentre outras datas, nos traz de volta para tradições. E o mundo está perdendo isso e ao mesmo tempo gritando por isso. É tudo muito instantâneo. Rápido. E tem que dar prazer, tem que ser único e tem que ser o que nós queremos, o particular. Tem que ser honesto, transparente, cru (beirando ao cruel, muitas vezes). Perdemos o coletivo. É o que me ocorre.

Eu não quero passar meu Natal assistindo série no Netflix, se você quer, eu desejo que você tenha um bom Natal e encontre bons filmes ou séries. Eu quero passar a véspera, com minhas músicas tocando, com aquela calabresa, bacon e outros ingredientes, para cozinhar aquele meu chester indecente (que transformei em uma tradição de indecências natalinas). Tomar minha cerveja, estar com quem eu amo, compartilhando esse momento comigo. Eu quero conversar com meus tios e primos que não vejo o ano todo. Para muitos isso é hipocrisia, mas para mim é reencontro. E fico feliz que temos o Natal para isso, porque do contrário, muito provavelmente, nos encontraremos num velório.

Eu acho lindo as pessoas pararem parte de sua vida, para se dedicar para algo com o grupo. Na minha família, todos trabalham até tarde na véspera. Eles chegam cansados depois de um longo dia de trabalho pesado. Mas ainda resta energia para montar a mesa, conversar com os familiares, fazer uma oração de agradecimento pelo ano e pela vida. Deixamos de lado as crises, as mágoas, as besteiras da vida. Sim, é uma pena não conseguirmos fazer isso o ano todo. Mas somos assim, fracos, humanos, frágeis. E tudo bem. Tudo bem você conseguir dedicar um dia da sua vida para celebrar. Antes um dia do que nenhum, eu penso.

Eu me importo com o Natal. Eu não compro presentes para ninguém, para um ou outro e olhe lá. Não tenho dinheiro. E não vou tirar de onde não tenho, para presentear. Posso cozinhar para eles. Posso estar com eles. Posso abracá-los e desejar um bom ano e um bom Natal. É o que eu quero e tenho para oferecer.

Meu Natal, é sinônimo de união. Meu Natal é sinônimo de magia. Meu Natal é sinônimo de amor. E meu Natal é sinônimo de família (e seja ela, seu cachorro, seu amigo, seu marido ou esposa, ou todos os seus parentes). Eu tenho muitas famílias. E é muito difícil distribuir meu tempo com todas elas. Eu tenho que escolher, muitas vezes. E pessoas ficarão magoadas. Me desculpem, é a vida. Não dá para agradar a todos e eu não estou tentando agradar todos. Eu só quero celebrar o amor e a família.

E eu entendo. Para muitos é uma data difícil. Não há boas recordações, nem nada para celebrar. E entendo que muitos sintam-se cobrados, culpados ou obrigados. A cultura trouxe um pouco disso. A família cultivou esse lugar. A sociedade transformou em algo superficial e comercial. Mas isso só foi possível com a ajuda das pessoas. Nossa ajuda. O Natal é só mais uma data. O que a faz diferença é como nós olhamos para ela.

O meu Natal é mágico. O meu Natal é esperado e bem vindo. E só estou triste esse ano, porque eu perdi, ao longo do ano, o meu olhar de uma criança. E eu me dei conta que é preciso uma transformação do significado e das minhas tradições de Natal.

Não sou mais criança. Mas quero manter o olhar de uma. A vida, às vezes, demanda muito de nós. Às vezes, não há mais espaço para nada que não um forte desejo de descansar. E esse ano, foi um ano muito difícil para mim. Um ano que me transformei e tirei coisas de mim que me eram muito caras. E agora é a luta para transformar tudo outra vez.

E eu percebi algo na minha vida. Existem datas comemorativas para nos fazer parar um pouco e dar algo de nós para o outro ou para o mundo. E para celebrar. Não é para ser imposto ou cobrado, mas celebrado. O quanto você celebrou esse ano? Eu celebrei bem menos do que eu desejava. E espero que no próximo eu possa celebrar mais e reclamar menos. E quem sabe ter um ano mais mágico e encantado, junto da menina que olha o mundo como se fosse a primeira vez.

Eu desejo um bom Natal a todos. Que você possa encontrar paz, a magia e o encanto, seja com quem e onde for.