Sobre o Carnaval.

Eu nunca fui lá muito antenada ao Carnaval. Pelo contrário, sempre achei toda essa festividade chata. E não falo isso por que fiquei anos em um relacionamento — isso nunca seria um impedimento. Falo porque era realmente desesperador me imaginar no meio de tanta gente. Grandes multidões nunca me agradaram. Até 2019.

Nessa fase de desconstrução e de observar a vida por outro viés, resolvi aceitar essa festa e participar dela. Confesso que nunca imaginei que fosse me agradar tanto. Descobri uma festa popular que suspende a seriedade da vida e dá alento para continuarmos o ano. Viver a Cultura do meu país, da maneira que ela é, deixou o meu coração quentinho.

Ainda no pré-Carnaval, já havia decidido que eu iria viver a festa do povo. Por isso, fui com meus amigos ao desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta. No caminho, eu dizia que eu era uma foliã conservadora (uma alusão óbvia à minha posição política contrária a isso). O Baixo Augusta é um bloco gigantesco e tem como madrinha a minha musa Alessandra Negrini (quem me conhece sabe como eu sou apaixonada por essa mulher). Enfim, pulei, dancei, cantei, bebi, me diverti. Ao voltar para casa, minha melhor amiga me disse: “Estou surpresa com você. Você não está nem mal humorada”. Ela me conhece, sabia que ali não era o lugar que a Aline de antes gostaria de estar.

A melhor parte de tudo foi ter vivido momentos inesquecíveis com pessoas maravilhosas. Ter encontrado amigos que há tempos eu não dedicava um pouco de mim. Ter dançado de olhos fechados pelo centro de São Paulo sem me preocupar com nada. Sentir os pingos da chuva como bençãos para mim. Olhar em volta e me surpreender com tanta alegria. Sorrir porque essa era a única maneira de expressar a minha felicidade. E eu esbanjei felicidade. O coração ainda pulsa de alegria. Foi demais.

Um dos momentos mais marcantes para mim, entre os vários que vivi, foi a chuva do último dia. Estava acompanhada de um grande (e recente) amigo que pediu para continuarmos no rolê, mesmo com a chuva torrencial. E eu me permiti. Era para ser ali com Timbalada tocando ao fundo. Estávamos extasiados. Foi o ápice de bem-estar que senti naquele dia. Foi uma energia tão foda de sentir. Dancei como se não houvesse amanhã. Não tinha espaço no mundo para o tanto que eu pulei. Fui invadida por uma alegria e liberdade que há muito tempo eu não sentia (ou nunca senti). Que bom ter tido alguém para compartilhar esse momento, porque eu tenho certeza que ele também sentiu essa boa vibração.

Eu vi muitos sorrisos em todos os dias que eu pulei Carnaval. Eu senti uma energia revitalizadora que modificou muito a minha forma de observar essa festa. Sinto dores em todas as partes do meu corpo e o cansaço também bateu forte por aqui, afinal não tenho mais 20 anos, porém, meus amigos, meu coração está cheio de entuasismo.

“Eu fui embora meu amor chorou. Vou voltar…”

Voei, e agora?

Já ouviu falar em turbulências? Correntes de ar que atingem o avião, fazendo-o tremer, tanto quanto o ônibus que pegamos para ir trabalhar ou estudar. Sim! O avião tremeu. Tremeu tanto que me arrependi de ter comido os aperitivos. Os comissários pediam para todos colocarem os cintos, pois, devido ao temporal que estava acontecendo em Campinas, nosso piloto precisara ser hábil para conseguir pousar o avião com segurança.

Nesse momento, após o pouso turbulento no Estado de São Paulo, às 12h30, considerei-me iniciado. Voei. Pousei. Ufa! Nada mais poderia ser novidade. Será?

No extenso Aeroporto Internacional de Campinas, eu e a minha singela mala de mão passamos sete horas no aguardo da conexão rumo à Lisboa, em Portugal. Sentei-me perto de uma daquelas esteiras rolantes para ver como os passageiros mais apressados eram impulsionados pela engenhoca.

Como se estivessem turbinados, volta e meia passageiros tropeçavam, perdiam as malas junto as crianças que, enlouquecidas com o corredor móvel, andavam no sentido contrário da esteira. Via-se de tudo um pouco. Por mais simples que seja, consegui me entreter por algumas horas, antes de fazer um lanche leve — mentira, comi um hambúrguer reforçado, daqueles macanudos. Hoje, mais experiente, alimentaria-me com algo bem leve, pois em dez horas de voo, sentado no escasso espaço entre as poltronas, a pressão do ar pode — e deve — gerar algum incômodo estomacal. Fica a dica, criatura!

Confesso que, passar pelo setor de policiamento aeroportuário — local onde você é revistado por meio de um raio-x e os policiais federais conferem a sua documentação — fora uma das sensações mais estranhas que me recordo. Embora entenda a necessidade da fiscalização a fim de manter a segurança do voo, senti-me desconfortável.

Retirar os poucos objetos metálicos que carregava comigo mais parecia um filme de comédia trash. Era a doleira em que guardava documentos e dinheiro caindo no chão, fone de ouvido enrolado no pescoço, cinto da calça para um lado e celular para outro. Duvido que um filme do Mister Bean tenha divertido os operadores das câmeras de vigilância daquele setor, como minha demonstração de ansiedade e insegurança perante a lei e as regras. Naquele momento, eu me prenderia.

Na área de embarque internacional do Aeroporto de Campinas, percebi que o público era diferente, pois já identificava algumas culturas diversas nos olhares dos passageiros, que estavam tão curiosos quanto eu. De certo, não era o único novato numa viagem internacional.

Já dentro do avião, conseguem adivinhar qual era o sentimento? Quem se arrisca a dizer? Quem? Exato. Tensão! Enquanto a maioria dos passageiros parecia estar calmo, acostumados com decolagens e viagens de longa duração, havia um ansioso para decolar logo. Eu.

O pôr-do-sol nordestino fora minha despedida oficial antes do intercâmbio em terras lusitanas. (Arquivo Pessoal: Luciano Del Sent)

Passara a tarde esperando aquele momento. Pensando bem, talvez tenha esperado por aquele momento muito mais do que uma única tarde. Era meu sonho de criança poder voar, conhecer o exterior, estudar e viver novas culturas. Pois bem, admirando essa paisagem, sobrevoando algum lugar próximo de Recife, despedi-me do Brasil, rumo ao intercâmbio acadêmico que considero uma vida em seis meses, devido a intensidade das experiências vividas. No dia 26 de janeiro de 2017, voei, e agora?

Envio de Artigos

Saiba como enviar o seu manuscrito para a Revista Pasmas

Imagem divulgação: Nine to Five (1980) dir. Colin Higgins. Na foto: Jane Fonda, Lily Tomlin, Dolly Parton e Dabney Coleman.

A Pasmas publica textos de opinião, contos, crônicas, poesias e ensaios produzidos por escritoras iniciantes e profissionais, bem como por especialistas de todas as áreas de conhecimento. Esperamos textos em torno de 1000 palavras (6 mil toques). Ela também está aberta a fotografias, ilustrações e videos curtos.

Antes submeter os seus trabalhos para a Pasmas, leia os artigos da revista e veja se você gosta. Se gostou, aplauda, comente e divulgue entre seus amigos e nas redes sociais! Um de nossos objetivos é criar círculos de interesses, então essa parte é fundamental.

Depois, procure se cadastrar no Medium, o que facilita muito o trabalho de edição, e aí submeta à revista através do próprio site.

Caso não possa se cadastrar, envie a submissão por e-mail (revistapasmas@gmail.com), escrevendo no assunto uma expressão que a identifique, por exemplo: “Crônica de São Luís de estudante de Letras”, ou “Reflexão sobre trajetória profissional de gestora de RH”, ou “Ensaio filosófico de doutoranda em Portugal”

Para a publicação precisamos de:

  • Seu nome
  • Brevíssima biografia (uma linha) e breve biografia (um parágrafo)
  • Título; subtítulo (até 140 toques); e breve resumo (até 200 toques)
  • Resumo do trabalho e razão para submeter à Pasmas (2 parágrafos)
  • Sugestões de tags
  • Material de ilustração (foto ou desenho com informação de copyright);

A Medium tem um sistema de remuneração de autores. A chance de obtermos renda com as publicações é pequena mas, caso isso aconteça, a distribuição da remuneração será feita assim: 20% irá para ilustradores, se houver.

Caso você publique com a sua conta, você se compromete a fazer essa remuneração.

Caso você publique com a nossa conta, nós faremos essa remuneração, ficaremos com mais 20% pela edição e lhe repassaremos o restante. Faremos remunerações que ultrapassem 100 reais por ano.

A Revista Pasmas é editada por Heloisa Pait e Juliana Albuquerque. Veja nossa proposta em Estamos Pasmas!. ISSN 2642–746X

Eu, negra.

Andre 3000 — Outkast — Clipe da música Hey Ya
A melhor amiga, Monique Gaigher (um hino de mulher)
Minha turma de Jornalismo/2017

Artilharia pesada contra a crueldade do Mercado Livre

Levando os valores a sério

O Mercado Livre permite, em sua plataforma, tanto a venda de animais vivos quanto de instrumentos usados nos maus tratos animais. É por isso que iniciamos uma campanha de boicote e pressão para que isso mude. Em menos de uma semana conseguimos mais de duas mil assinaturas para a nossa petição.

É preciso ter pé no chão e entender que pressão não pode parar. Os consumidores do mercado livre e as autoridades precisam saber do que acontece com os animais na plataforma.

Por ser um assunto tão importante decidimos ajudar o trabalho da polícia usando programação, ciência de dados e inteligência artificial para monitorar crimes contra animais na plataforma e entregar isso na forma de listas de anúncios que violam a ética a lei e as vezes até as políticas internas do Mercado Livre.

Alguns desses anúncios são escancarados. Esse aqui https://goo.gl/Ec4RxH , por exemplo, fala em “esporas para galos combatentes”. É impossível ser mais claro que isso. Outros são um pouco mais sutis pois não dizem que é para fazer os galos brigarem, apenas anunciam um produto cuja destinação é a rinha de galos ( https://goo.gl/QX1RhC ).

Como nós ajudaremos a polícia?
1. Vamos mapear os anúncios criando várias listas separadas por tema de forma a encontrar padrões ( em lugares, em vendedores) e extrair informações ( quantidade de vendas de itens criminosos, se o Mercado Livre tomou alguma postura ou não).

2. Vamos fazer um robô verificar essa lista diariamente para atualizá-la. A partir da mudança dessa lista saberemos se nosso trabalho está ajudando ou não a combater essas lamentáveis práticas, se o mercado livre está coibindo tais práticas e se a venda em geral desses itens está caindo.

3. Vamos apresentar relatórios com os resultados , gerados automaticamente, e um jeito fácil de ver todos os dados compilados.

Entregaremos tudo isso à polícia, ao ministério público e ao judiciário.

Nessa primeira semana começaremos com uma lista, ainda manual, de alguns produtos que encontramos.

Lista de anúncios relacionados a Rinha de Galo: https://goo.gl/9BfuFw

Quer ajudar? Você pode! Faça uma ação rápida que pode ajudar muito nessa campanha.

Vá até a página do Mercado Livre no Facebook ( https://www.facebook.com/MercadoLivre/ ) e poste nas fotos e postagens deles uma mensagem como a seguinte. Você pode copiar e colar se quiser mas seria ótimo se escrevesse uma mensagem sincera e respeitosa:

É inaceitável que vocês vendam produtos usados para abusar de animais e animais vivos no Mercado Livre. Isso contraria leis ambientais e até a política interna de vocês. Sejam mais rigorosos com essa política e a atualizem para uma mais ética com os animais.

Eu assinei essa petição ( https://goo.gl/shjssR ), vou compartilhar e falar sobre isso aos meus amigos e BOICOTAR o Mercado Livre até que ele mude. #MercadoLivreCruelComOsAnimais #BoicoteACrueldade #BoicoteOMercadoLivre

Nikolai e o Rouxinol

Hoje, as almas errantes vagaram pela cidade, num coro de choros e angústias. Hoje, os boêmios e vagais, dançarinas e figuras distintas da noite velavam, com o pesar de mil mortes em seus ombros, aquele por quem tinham tanto carinho, que achavam conhecer tanto, mas na verdade conheciam tão pouco. Hoje, Nikolai se foi, fez se livre, como seu rouxinol.

Toda final de tarde, por volta das 17:30, ele trocava o terno, a gravata e peso do dia por roupas mais leves, e pela brisa confortável e revigorante da noite. Todos que viviam por ali conheciam Nikolai, e lembravam-se com carinho de seus poemas recitados. Odisséias sobre as fanfarras e aventuras dessas criaturas peculiares, contos que ilustravam os maiores feitos e acontecimentos dos tantos bares e festas que já frequentou. A vida, para ele, era como uma grande novela, e ele se sentia feliz por ser o narrador.

Um certo dia, por acaso, Nikolai encontrou um rouxinol. De fato, foi uma cena estranha. Como algo tão precioso poderia estar em tal lugar, tão improvável, e ainda sim, ser o destaque daquele milieu? Intrigado, ele continuou seu caminho, mas o rouxinol o seguia.

E era assim toda noite Nikolai e seu rouxinol desbravavam as noites, alegrando pessoas com suas poesias e histórias. Mas a verdade é que ele, por muito tempo, viveu sozinho. Tudo isso de sair por aí, de bar em bar, por entre as ruas e avenidas era para esconder o fato de que Nikolai procurava um motivo para viver, buscava por algo para preencher o vazio, como quem tapa um buraco na rua com piche. E, com o rouxinol ao seu lado, ele se sentia completo.

Muitos presenciaram os dois juntos pelas madrugadas, brilhavam tanto que a própria lua, então ofuscada, observava de longe, como quem aprecia um evento raro. A dançarina do Albion os chamava de ‘’Luna e Solei’’, duas peças que — embora tivessem seu brilho individual — se tornavam algo especial.

Por inúmeras noites, isso aconteceu. Ele o amava intensamente, como alguém que descobre o amor pela primeira vez; juntos, a crueldade do mundo era indolor e indiferente. Infelizmente, viver é sofrer, e o poeta sabia disso, mas dessa vez é diferente. A pior tortura é ver a felicidade, tê-la em seus braços, e ter tudo tirado aos poucos, como quem arranca os galhos de um arbusto, em seus momentos finais.

Aos poucos, o rouxinol, se afastava. A companhia de todos os dias foi se tornando quinzenal, então sazonal, até sumir de vez, enquanto ele dormia. Foi a primeira estocada em Nikolai, e seu primeiro passo em direção ao inferno. ‘’Teria isso tudo sido uma mera ilusão?’’, dizia, ‘’Seria meu destino, afinal, ver tudo que amo ir embora?’’, sofria a cada letra. As poesias, outrora floreadas deram espaço à uma criação mais triste. Eram nas palavras que tentava procurar o motivo de sua partida, tão repentina, sem motivo aparente, nem a ele, muito menos aos tantos colegas e conhecidos de ambos.

Por muito, acreditou ser mais uma consequência d’um amor intenso, mas proibido; os dois eram muito diferentes na forma de agir e sentir, por mais que o amor entre eles tenha sido verdadeiro. A cada dia, o sofrimento aumentava, e a esperança que o rouxinol voltasse se apagava. Era como esperar alguém voltar da guerra, por mais que a carta de sua morte tivesse chegado há anos. Logo, a mesma notícia nefasta chegaria. Num dia estranhamente ensolarado de novembro, Nikolai receberia uma carta e uma notícia: Seu rouxinol, que, a princípio havia voado pra terras longíquas, na real estava mais próximo do que nunca. Internada no Saint Claire devido ao estágio avancado de seu câncer, Patrícia havia morrido naquela manhã. Tão longe, mas tão perto…

O Hospital Saint Claire era de frente para o prédio em que Nikolai trabalhava.

Devastado com a notícia, pediu as contas, passou seus últimos minutos com aquela que dividiu meses. Naquele momento, parte dele morreu com ela, e a cidade foi tomada por uma chuva inesperada. Os céus choram pela morte daqueles que deram vida àquele lugar. Solei se foi, e Luna sofreu por dias na penumbra, exilado. Como existir sem aquilo que lhe dá vida? Naturalmente, o desespero nos leva a tomar ações preciptadas, e o que fez é uma delas. Se reuniu mais uma vez no Albion. Todos aqueles que viviam da noite, ou se contentavam em viver nela, se reuniram para o que seria a última aparição de Nikolai, o poeta do infortúnio.

‘’À ti, vida, lhe devo o desgosto.
Tiraste de mim algo tão precioso
Como quem salga o mais doce dos néctares.
Cruel, carrasca, cria bastardos como eu, e tantas almas.

À todos, dou meu adeus da forma que sei.
Transformando a dor em arte, falha e caótica,
Externalizo minha dor, pela partida do meu rouxinol
E a de deixar a única família que tive.

Sabe, a vida passa tão rápido, como uma bala
Sua trajetória é a vida, mas a vemos em câmera lenta
Um milímetro de felicidade e sofrimento de cada vez.

À Gael, deixo meu posto,
Seja o narrador e a ponte de tantas hisórias
A realidade é um livro, e minha parte foi escrita;
Cabe a ti, agora, escrever mais um pedaço.’’

Hoje a cidade acordou com a notícia esperada, mas dolorida. Nikolai Ulrich, funcionário público e poeta, cometeu suicídio ao se jogar da janela de seu apartamento. Populares e curiosos, ao descobrir de seu destino, se amontoaram em volta, vendo o triste fim daquele pobre moço. A polícia vistoriou seu apartamento, procurando por provas, seja corroborando com o suicídio ou algo pior, mas encontraram apenas um bilhete em meio à mobília: ‘’Em direção à luz entre a penumbra, abro as asas e sigo, irei pra junto de meu rouxinol.’’

Temos muito o que aprender com os funkeiros e sertanejos

Não é novidade pra ninguém que os sertanejos e funkeiros são empresariados por outros sertanejos e funkeiros mais famosos. E esses, por sua vez, foram empresariados por tipos que vão de fazendeiros a figurões com grana de “origem duvidosa”.

Pra esses caras não é difícil desembolsar centenas de milhares pra comprar um espaço no Faustão, por exemplo, ou dezenas de milhares pra colocar uma música no horário nobre das rádios famosas; no hall dos vídeos mais acessados do youtube; no feed de notícias de milhões de pessoas no facebook.

Ah, mas se faz sucesso é porque é bom — Você pensa.
Não, não é bem assim.

Ao comprar os melhores espaços de divulgação para seus artistas, os empresários vendem pra população a ideia de que todo mundo está ouvindo aquele determinado som e que todo mundo está gostando daquilo! E a população, como o coletivo de Marias-vai-com-as-outras que é, ouvirá aquilo e achará que é bom mesmo!
Pois ainda impera no imaginário das pessoas a ideia de que ter espaço na mídia é algo conquistado por merecimento. Assim, se aparece um “olha o gás” em algum TOP10 da vida, a maioria automaticamente dirá “porra meu, que música legal!”.

Já diziam os Titãs “não há nada que você não se acostume”.

Mas e o rock?! Porque o rock não está nessa também?

O rock não tem investimento. Nem as próprias bandas investem no rock.

O Sorocaba da dupla Fernando & Sorocaba, por exemplo, usou sua fortuna de filho de fazendeiro pra ficar famoso, depois usou sua fama adquirida pra fazer mais fortuna. E agora injeta essa fortuna em outros sertanejos, colocando-os nas rádios, nos programas enas novelas, por meio de seu escritório que empresaria vários artistas do gênero – Sim, é por causa dele que você ouvirá sertanejo nos TOP10 do Brasil pro resto da vida.

Agora, vc já ouviu falar em algum rockeiro famoso que injetou grana em outros rockeiros, digo, injetou grana no próprio gênero musical?

Comum mesmo é ver o rockeiro rico torrando tudo o que ganhou e que se foda “Yeah!”.

O mesmo aconteceu com os forrozeiros na época em que o forró universitário era febre. Lembra? O povo tudo ouvindo e dançado forró.
Mas nenhum grupo investiu em outro. Os poucos que estouraram monopolizaram o negócio e depois que não conseguiram produzir mais HITS não tinham mais nenhuma banda pra dar continuidade com o gênero. E então o forró saiu do foco do holofotes.

O problema do rock, do forró e de qualquer outro gênero que já esteve em evidência e não está mais, é a falta de visão dos seus próprios representantes.

Você vê essa falta de visão até no rock underground. É raro, RAR͍SSIMO, conversar com uma banda (das que tem pretensão de crescer) e ouvir algum integrante dizer que se conseguir sucesso irá abrir o caminho para as outras bandas. É mais fácil rirem de você pelas costas quando você diz algo desse tipo.

Temos muito o que aprender com os funkeiros e sertanejos.

Cry Baby

Cage The Elephant

Hoje eu sentei na beirada da cama e li uns sete artigos diferentes sobre produtividade, rotina, busca pelos sonhos, essas coisas. Todas as lições ligadas ao hábito de escrever em um diário. Segundo os autores dos artigos, escrever te ajuda a visualizar melhor seus objetivos e, pairando na zona do misticismo, sela o status de realidade naquilo que até então são apenas desejos.

E eu concordo.

Acredito que a escrita é uma arma poderosa para colocar a vida no lugar e, se escrito com fé, nossos sonhos ali escritos podem se tornar possíveis em um passe de mágica (lê-se muito esforço e dedicação).

Então, abastecida por tantos manuais, lá fui eu pegar meu caderninho e escrever tudo que veio a minha mente que dizia respeito a mim mesma. Escrevi como estava meu humor, que versículo da Bíblia entrou no meu coração hoje, pelo quê eu estava grata naquele momento e o que pretendia realizar na semana.

É um exercício simples, mas ao mesmo tempo difícil. É difícil ser seu próprio chefe, aquele que distribui as tarefas e depois precisa cobrá-las. É assustador pensar que você está no controle porque o controle vem carregado de grandes responsabilidades. O fracasso e o sucesso dependem de quão boa eu serei em fazer daquele caderninho um mapa da felicidade e de quão certeiro é o meu senso de direção para não me perder no meio do caminho.

Não é a primeira vez que tento a técnica do diário pra me manter sã. Às vezes a mente não dá conta de armazenar tudo que acontece ao redor e ainda guardar espaço para os planos. Ainda mais se a ansiedade anda de mãos dadas, pois isso torna tudo ainda mais grandioso. A mente do ansioso está sempre a mil — na maior do tempo negativamente.

Então na beirada da cama eu preenchi uma folha inteira com respostas que fiz a mim mesma e outros dizeres aleatórios. Ter um diário parece coisa de adolescente, mas se eu não tive um na adolescência talvez seja a hora agora. Ele é discreto e silencioso. É tirano, mas também um ombro amigo. Ele absorve as lágrimas, mas também pode ser o responsável por gerá-las, se a gente insistir em reler o que escreve. Ele pode ser um coração que bate do lado de fora, através de letras cursivas desenhadas com caprichos ou na pressa, ilegíveis, mas também pode ser um pesadelo, se um intruso decodificar o que está por trás dele. Um diário é o nosso ontem e hoje. Ele pode nos preparar para o amanhã. Ele é nossa biografia em tempo real, nosso porto seguro. Há muita história por trás de um rabisco de papel.


Toda segunda-feira eu aperto o play em um música aleatória e escrevo sobre o que ela me inspira. Busque o título no seu aplicativo de música mais próximo e aproveite uma melodia nova. Pode ser um bom jeito de começar a semana.

VOLTANDO AO RIO: PORQUE ESTOU ME MUDANDO PARA O BRASIL

*Este post originalmente apareceu em zacglover.com em 15 de julho de 2017

Estou me mudando para o Rio de Janeiro, Brasil!

Bem, não exatamente. Não permanentemente. Eu voltarei pros Estados Unidos depois de 3 meses… (desde que eu não goste muito e fique permanentemente).

Não será minha primeira vez no Brasil. Eu visitei a “Cidade Maravilhosa” em novembro de 2016, numas férias de uma semana.

Foi minha primeira vez deixando os E.U.A. e conhecendo uma cultura diferente, então foi uma baita experiencia.

Eu aprendi algumas coisas durante meu tempo lá:

1. O Brasil tem um diferente (talvez menos eficiente) sistema sanitário. Então ao invés de jogar o papel higiênico no vaso sanitário, você joga num lixo próximo ao vaso.

2. O Brasil usa diferentes tomadas. Se você não tem um adaptador, não conseguirá carregar seus eletrônicos.

A respeito dessas pequenas e desconfortáveis coisas que aprendi, a maior delas foi essa: uma semana no Rio não foi suficiente.

E então, eu tenho pensado no Rio todo dia desde que fui embora — apenas desejando estar de volta.

O que me faz me sentir desse jeito?

Talvez fosse a viagem da Floresta da Tijuca até o Corcovado para ver uma das 7 maravilhas do mundo, o Cristo Redentor.

Talvez fosse o tempo que passei deitado na areia de uma das mais famosas praias do mundo — Copacabana e Ipanema.

Ou talvez foi o jogo de futebol que assisti entre dezenas de milhares de fãs berrando no estádio do Maracanã (a qual sediou a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016).

E de novo, poderia ser a diversão que eu tive enquanto visitava atrações como o Pão de Açúcar, Lapa, Parque Lage, Escadaria Selarón e o Jardim Botânico.

Todos estes momentos contribuíram, mas não foram nenhum destes individualmente que me fizeram querer voltar ao rio — sim toda a experiência.

Eu vou explicar…

No rio, eu tive uma sensação de paz e felicidade que não tinha sentido antes (provavelmente porque eram férias, mas eu não acho que era só isso).

Enquanto eu visitava alguns lugares — e não eram poucos — eu percebi que curtia cada momento, cada vista, cada som e cada outra sensação.

Ir para o Rio parecia levar-me de volta para o estado de infância.

Quando se pensa em crianças, vê-se que são extremamente observadores e receptivos ao mundo a sua volta. Tudo é novo para eles, e então, eles se sentam lá e se maravilham sobre tudo a sua volta — até mesmo sobre as coisas simples.

Eu me encontrei fazendo isso no Brasil.

Uma vez em particular, eu estava sentado numa cafeteria, admirando o que estava acontecendo a minha volta — o que não era muita coisa. Tinha um atendente atrás da cafeteira . Haviam sinais e cardápios escritos em português. Havia um casal sentado perto de mim tomando café da manhã, falando em português.

Não havia nada demais acontecendo realmente, e tudo isso parecia tão interessante.

Mais tarde, eu pensei comigo mesmo como eu nunca me peguei fazendo isso nos Estados Unidos — apenas ficar sentado, admirando alguém tomando um café grande no Starbucks. 😂

Mas aí é que está, não era os Estados Unidos — e isso era exatamente o que eu precisava.

Ao contrário de estarem preocupados com o futuro, ou o passado, os brasileiros são mais do presente. Eles vivem, e curtem o momento. É uma cultura de lazer e as pessoas são descontraídas.

E também senti uma grande sensação de comunidade.

Em oposição a cultura individualista e capitalista dos Estados Unidos, o Brasil faz sentir muito mais comum. As pessoas são amigáveis e muito mais próximas umas das outras.

Além do mais, eles parecem muito mais felizes.

E num lugar tipo o Rio, é difícil não se sentir assim.

O Rio é a combinação perfeita entre industrialização e natureza, ambos vida urbana e estilo de vida natural.

No Rio, você tem os mesmos benefícios da cidade — entretenimento, vida noturna, jantar, etc. — mas também consegue ótimas paisagens. Em um lado da cidade é mar, no outro são montanhas e ao redor é tudo floresta tropical. Queira você ficar dentro ou fora dos ambientes, têm um monte de coisas para se fazer em ambos.

O Rio tem muitas opções para coisas a se fazer e eu pretendo explorá-las.

Contudo, eu não estou indo parar morar, apenas passar mais tempo como turista. Estou indo com um plano.

Meus planos são baseados numa lógica que pode ser melhor descrita como cultural, social e profissional.

Parte das razões que me faz ir viver no Brasil é a cultural.

Ficar num lugar por 7 dias, você pode conhecer bastante. Mudando-se para o rio por 3 meses, você experienciará a cultura muito mais profissionalmente do que eu na primeira vez. Mais que visitar como turista, eu quero viver como cidadão local.

Eu quero saber o que é ser um brasileiro, e mais especificamente um Carioca.

Toda minha existência até o momento foi desenvolvida e moldada, e vem sendo, como Norte Americano. A forma que eu me via, raça, sociedade e mundo sob a perspectiva Norte Americana. Eu quero ver o mundo através de novas lentes e isso me ajudará.

Ao mudar-me para o Rio terei, ao menos, esta perspectiva.

Eu pretendo usar meu tempo no Rio para explorar a cultura — de costumes e tradições às perspectivas, crenças e linguagem.

Sempre foi um objetivo meu aprender uma segunda língua e chegar à fluência. Com essa viagem, eu vou me organizar para alcançar esta oportunidade de fazer isso. Eu usei aplicativos de línguas, li livros brasileiros, ouvi músicas brasileiras e assisti tv brasileira (e mais) para aprender o português, mas até o momento o maior desafio de aprender a língua é o “falar”. A mudança me ambientará num lugar onde terei mais oportunidades de falar o português e serei forçado a fazer por necessidade.

Morando no Rio, eu colocarei a perspectiva que eu desenvolvi da cidade e da cultura, da minha exposição limitada enquanto viajava em xeque. No entanto, a viagem sendo boa, ruim ou em algum lugar no meio, será uma experiência cultural enriquecedora, independentemente.

Parte das razões que estou indo viver no Brasil é social.

Durante meu período no Rio, farei trabalhos sociais através de programas voluntários. Como um voluntário, eu estarei organizando e fazendo atividades esportivas com jovens carentes para ajudar a mudar a trajetória de suas vidas — e que melhor maneira se não através do esporte?

Nelson Mandela uma vez disse:

Como ex-atleta, essa questão ressoou em mim. Ressoou em mim porque eu entendo a verdade nisso.

Crescendo no basquete, eu tive esse efeito em mim.

A quadra de basquete era meu santuário — um lugar onde podia fugir de todos os meus problemas.

O esporte por si só é um veículo para a mudança — me levando para além da realidade do ambiente a minha volta.

Para muitas pessoas, em infelizes circunstancias, rodeado por dor e sofrimento, o esporte é um caminho para uma vida melhor.

Então, apesar de as crianças poderem não entenderem meu português, elas vão entender a mensagem que eu der através do esporte.

Eu espero que essa mensagem os ajude a aumentar suas resiliências e construir suas confianças.

Parte das razões de estar indo viver no Brasil é profissional.

Como eu mencionei lá atrás, o Brasil é uma sociedade chegada no lazer e tem um grande comprometimento no balanço entre trabalho e vida. Contudo, não dá pra ser só diversão sem trabalho — meu espírito capitalista não deixa.

Então, para aumentar meu tempo no Rio, eu planejo usar a viagem como uma oportunidade de imergir na cena brasileira de tecnologia do esporte.

Eu pretendo descobrir as tecnologias que estão sendo desenvolvidas e a inovação que toma seu espaço no esporte.

Como os times usam a tecnologia para melhor envolver seus fãs?

Quais tecnologias os atletas e os times usam para melhorar seus treinos e ganhar uma vantagem?

Quem são as pessoas que lideram essas inovações?

Quais recursos são disponíveis para aqueles que querem inovar?

Estas são algumas questões que pretendo explorar.

Quaisquer que sejam as respostas para estas perguntas, eu estarei compartilhando meus achados na minha página contribuinte Forbes.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — —

Já se passaram 240 dias que saí do Rio. Tô achando que é hora de voltar.

Acompanhe minha jornada pelo Instagram (@zac.glover).

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — —

Muito obrigado a Felipe Coelho por ajudar na tradução.

Como sobreviver ao Carnaval

Um guia com aquelas orientações que todo mundo conhece, mas que todo ano precisam ser reforçadas para quem esquece e para os foliões de primeira viagem

Photo by Pineapple Supply Co. on Unsplash

O Carnaval 2019 já está chegando! É um período muito esperado por quem deseja arrasar na avenida, no bloquinho, no trio ou em outro lugar que não lembro agora. E para que a folia seja realmente uma festa é necessário brincar com responsabilidade. Carnaval não significa que durante alguns dias todos podem fazer o que quiser sem respeitar outras pessoas ou as leis. Então, se liga nas dicas para curtir a folia, voltar vivo do rolê, sem problemas posteriores e com a consciência limpa.

Hidrate-se!

Roupas e Calçados

Alimentação

Protetor Solar

Não é Não!

Camisinha (Masculina e Feminina)

Álcool e Direção

Sustentabilidade

Vale destacar que são dicas, algumas orientações e não ordens. O objetivo é ressaltar que existe vida após a diversão e que haverá outros carnavais para curtir. Ou seja, se joga, mas com sensatez. Combinado?